Eixos Temáticos

Mapeamento de Habitats

O mapeamento e caracterização dos hábitats do fundo é uma premissa básica para o planejamento espacial marinho. Ferramentas geofísicas, como sonares de varredura e multifeixe, aliadas à obtenção de imagens subaquáticas por mergulhadores ou robôs, têm permitido a descoberta e a caracterização de diversas feições do fundo marinho de Abrolhos. Tendo como ponto de partida o conhecimento local, a Rede Abrolhos mapeou vastas áreas de recifes mesofóticos, estruturas do tipo ‘blueholes’ (buracas) e o maior banco de rodolitos do mundo. Novos desafios nesse eixo temático estão relacionados ao mapeamento dos recifes na área sob influência do Rio Doce, na porção capixaba, e das estruturas que ocorrem no extremo norte do Banco dos Abrolhos, onde a plataforma continental é mais estreita.

Ecologia e Biodiversidade

Além de ser a região com a maior biodiversidade de toda a costa brasileira, o Banco dos Abrolhos é a área mais piscosa do Nordeste brasileiro. Pesquisadores da Rede Abrolhos vêm promovendo diversas ações, desde a década de 1990, no sentido de conhecer a estrutura e o funcionamento dos ecossistemas da região. Uma das ações centrais da Rede Abrolhos é o monitoramento contínuo dos recifes rasos, através de fotoquadrados e censos de peixes. Os resultados desse esforço demonstram alterações significativas nos ecossistemas, incluindo reduções na biomassa de peixes e na cobertura de corais, com consequente aumento no crescimento de organismos oportunistas como algas filamentosas e patógenos. Outras frentes desse eixo temático abrangem avaliações da dinâmica espaço temporal da matéria orgânica e o processo de microbialização dos recifes, a saúde dos corais e sua simbiose com as zooxantelas, o papel de peixes e esponjas perfurantes na bioerosão recifal, e a diversidade de grupos taxonômicos negligenciados, como esponjas, briozoários, ascidias e algas calcárias.

Recursos Pesqueiros e Áreas Marinhas Protegidas

A Rede Abrolhos tem dado especial atenção a pesquisas focadas nos recursos pesqueiros, produzindo um panorama sobre o ciclo reprodutivo, tamanhos adequados para captura, e informações bio-ecológicas básicas sobre peixes recifais, no sentido de orientar medidas de manejo. Também são focos das pesquisas desse eixo temático os efeitos e a efetividade das áreas marinhas protegidas, que contribuem com a conservação da biodiversidade e a sustentabilidade no uso de recursos pesqueiros.

Evolução da Plataforma Carbonática

Como, quando e sob quais condições o Banco do Abrolhos se formou? Esse enorme edifício carbonático, construído ao longo de milhões de anos, teve pulsos de crescimento profundamente influenciados pelas elevações e rebaixamento do nível do mar, associadas aos ciclos de glaciação e aquecimento do planeta. Entender o processo de crescimento do recife e suas condicionantes, numa escala de dezenas de milhares de anos, é um dos objetivos da Rede Abrolhos. A obtenção de testemunhos geológicos até 50 m abaixo da superfície do fundo permitirão resgatar a história evolutiva de aproximadamente 50 mil anos, através de análises petrológicas e datações por C14. Outro aspecto que tem sido abordado pela Rede é o crescimento das colônias de corais ao longo do último século, através do estudo das bandas anuais de crescimento.

Mudanças Climáticas

Cada vez mais intensas e frequentes, as anomalias térmicas derivadas do aquecimento global têm causado estragos imensos aos recifes coralíneos. Branqueamentos extensos seguidos de mortalidade em massa de corais foram relatados nas últimas décadas, particularmente em 2016, com perdas incalculáveis para o planeta. E nos recifes de Abrolhos, qual é extensão do branqueamento? Quanto da cobertura coralínea está sendo perdida? O recife está ainda em um balanço positivo de crescimento e produção de carbonato de cálcio? A Rede Abrolhos vem respondendo essas perguntas com uma série de ações iniciadas em 2012, incluindo a determinação in situ da temperatura da água do mar adjacente ao recife a cada uma hora, o monitoramento das comunidades recifais e medições anuais de produção de carbonato de cálcio. Resultados recentes demonstram a redução da abundância de organismos construtores e a intensificação do crescimento de algas filamentosas e outros organismos oportunistas.

Gestão do Conhecimento

A Rede Abrolhos gera, mantém e disponibiliza dados sobre a região de Abrolhos utilizando o BaMBa, “Brazilian Marine Biodiversity Database”, sediado no Laboratório Nacional de Computação Científica. Trata-se de um repositório de dados oceanográficos de diversos tipos, desde a ocorrência de espécies até características físico-químicas de amostras de água do mar. Além disso, a Rede Abrolhos prioriza a publicação dos resultados interpretados das pesquisas em periódicos científicos de alto nível, disponibilizando-os no site.

Ensino e Extensão

O Ensino e a extensão são atividades transversais que incidem sobre todos os eixos de atuação da Rede Abrolhos. O conhecimento científico é produzido, primordialmente, através do engajamento de estudantes de graduação e pós-graduação, os quais são orientados pela equipe de pesquisadores. Trata-se de uma abordagem integrada que confere, aos jovens cientistas, oportunidades de trabalho em um ambiente multidisciplinar e em contato com a resolução de problemas práticos. Os resultados são disseminados junto aos órgãos gestores (e.g. ICMBio) e organizações locais (e.g. comunidade pesqueira e ONGs), através de um processo dinâmico de diálogos entre os saberes da ciência e das comunidades locais. Além disso, as pautas mais interessantes e com potencial de despertar atenção mais abrangente, são divulgadas junto à imprensa nacional e internacional.