Expedição maio 2016:

Monitoramento do Branqueamento dos Corais

Colônia do Coral-de-fogo (Millepora alcicornis) branqueada no Parcel dos Abrolhos, maio de 2016.

Data

05-09 de maio de 2016 (05 dias de campo)

Alvos científicos:

Registrar a abrangência específica e geográfica do fenômeno de branqueamento dos corais no Banco dos Abrolhos.

Área de estudo:

Recifes rasos do arco costeiros (Pedra de Leste e Sebastião Gomes) e do arco externo (Arquipélago e Parcel dos Abrolhos) e profundos/ mesofóticos (Recife Califórnia).

Técnicas empregadas:

Mergulho científico, coleta de material biológico, Diving PAM, transectos (censos branqueamento e esponjas perfurantes), fotoquadrados fixos, registros fotográficos e em vídeo de alta resolução, isolamento e cultivo de zooxantelas simbiontes (Symbiodinium spp.).

Equipe:

Rodrigo Moura, Fernando Moraes, Fernanda Cervi, Michelle Amario, Felipe Ribeiro e Áthila Bertoncini.


Durante a campanha oceanográfica para monitoramento marinho dos impactos dos rejeitos do maior acidente ambiental da história brasileira, rejeitos vazados da mineradora SAMARCO no Rio Doce, a bordo do Navio de Pesquisas Soloncy Moura/ ICMBio, pesquisadores da Rede Abrolhos constataram uma surpreendente descoloração de colônias de corais verdadeiros nos recifes entorno do Arquipélago dos Abrolhos. A impactante visão na região de Abrolhos de um cenário de branqueamento de corais em curso globalmente acionou uma pronta resposta da Rede Abrolhos. Neste sentido, foi planejada uma expedição emergencial para registrar em quais espécies de corais e com qual intensidade o branqueamento ocorria e como se desencadeará a dinâmica deste fenômeno nos diferentes recifes do Banco dos Abrolhos ao longo do tempo.

Liderada pelo Prof. Rodrigo Moura (UFRJ), a equipe empenhou-se em coletar o maior número possível de dados in situ nos recifes costeiros da Pedra de Leste e Sebastião Gomes, nos recifes do arco externos do Arquipélago dos Abrolhos e do Parcel dos Abrolhos (chapeirões), além dos pináculos mesofóticos do Recife Califórnia. Ao longo de cinco dias de mergulhos nestes distintos ambientes de recifes carbonáticos foram realizados:

  1. censos da saúde dos cnidários, quantificando diferentes graus de branqueamento e doenças em anêmonas, gorgônias, hidrocorais e corais verdadeiros;
  2. medidas de taxa de resposta fotossintética com Diving PAM, estimando a produtividade primária nos tecidos dos corais;
  3. imagens fotográficas e filmagens aéreas (drone) e submarinas das espécies e dos ambientes amostrados, caracterizando os diferentes padrões de branqueamento em escala geográfica local e regional;
  4. imageamento do ambiente bentônico de parcelas padronizadas fixas e aleatórias de recifes rasos e fundos, comparando os padrões locais e regionais antes e durante o fenômeno de branqueamento;
  5. isolamento e cultivo ex situ de algas unicelulares simbiontes dos corais (Symbiodinium spp.), ampliando o conhecimento sobre morfologia, fisiologia e ecologia das principais espécies construtoras locais.

Dados inéditos estão sendo processados para entender como esta onda global de branqueamento de corais está se desenvolvendo no Banco dos Abrolhos. Mais de 5.000 imagens foram obtidas agregando informações estratégicas ao monitoramento de longo prazo das comunidades coralíneas do Banco dos Abrolhos. Com isso, somam-se aproximadamente 80 mil imagens científicas geradas há mais de uma década pela Rede Abrolhos, criando uma plataforma de informações robusta que possibilita um melhor entendimento ecológico do branqueamento em curso nos oceanos mundiais. Espera-se contribuir para o delineamento de estratégias mitigadoras bem embasadas e eficientes contra impactos ambientais no maior complexo coralíneo do Atlântico Sul.

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