Desvendando os recifes de Abrolhos: Uma trilogia científica no Atlântico Sul

Há mais de 10 anos pesquisando o maior complexo coralíneo do Atlântico Sul, os cientistas da Rede Abrolhos (www.abrolhos.org) produziram, entre dezenas de artigos, teses e materiais de divulgação, uma trilogia científica que alterou profundamente o entendimento sobre a região de Abrolhos, no sul da Bahia e norte do Espírito Santo. Em um artigo de 2012, publicado na revista PLOS ONE , foi revelada a ocorrência do maior banco de rodolitos do mundo, ao largo da área recifal mais conhecida e estudada desde os trabalhos pioneiros de Charles Darwin no Século XIX. Rodolitos são nódulos calcários estruturados por algas coralináceas que mineralizam carbonato de cálcio. Dada a magnitude da formação descrita no artigo, Abrolhos foi colocado no mapa mundial das áreas recifais que mais contribuem com o sequestro de carbono, tais como o Caribe e a Grande Barreira australiana. Em 2013, um levantamento publicado na revista Continental Shelf Research revelou que o fundo marinho de Abrolhos abrange um complexo mosaico de hábitats, no qual a área de recifes é 20 vezes maior do que aquela anteriormente conhecida. Esse artigo chamou atenção para o baixo nível de conhecimento sobre a plataforma continental, mesmo em áreas emblemáticas como Abrolhos. Em junho de 2018, um novo capítulo dessa trilogia foi publicado, dessa vez na revista Scientific Reports, apontando para novos aspectos da singularidade das estruturas recifais conhecidas localmente como “chapeirões”, em alusão a seu formato de chapéu. Os corais são os protagonistas na construção dos recifes tropicais em outras regiões do mundo. No entanto, a descoberta relatada no artigo revela que invertebrados filtradores conhecidos como briozoários, juntamente com algas coralináceas, desempenham essa função essencial no ecossistema de Abrolhos, onde os corais possuem um papel menor como estruturadores do recife. O novo estudo também relaciona aspectos oceanográficos e climáticos, tais como a ausência de furacões e tempestades tropicais, à morfologia peculiar e à diversidade dos recifes de Abrolhos. O trabalho da Rede Abrolhos, além de subsidiar medidas para a gestão sustentável do uso dos recursos naturais, vem mostrando a importância da abordagem multidisciplinar e de longa duração para a consolidação, no cenário internacional, das ciências do mar desenvolvidas no Brasil.

Financiamento: CNPq, CAPES, IODP, FAPERJ, FAPES, ANP/Brasoil

Vídeo de divulgação