Rede Abrolhos participa de expedição oceanográfica à Margem Equatorial Brasileira

Seguindo uma malha amostral delineada por pesquisadores da Rede Abrolhos, o navio oceanográfico “Alucia” navegou coletando dados estratégicos para aprofundar o conhecimento científico sobre a influência da pluma do Rio Amazonas na Margem Equatorial brasileira.
Com o uso da rosette, este equipamento que permite coletar água em diferentes profundidades, pesquisadores da Rede Abrolhos estudaram parâmetros físicos, químicos e biológicos em um gradiente de influência do Rio Amazonas sobre o Oceano Atlântico.

A integração da base de conhecimento construída por pesquisadores da Rede Abrolhos e a tecnologia disponibilizada para operações submarinas no navio oceanográfico ‘Alucia’ abriram novas oportunidades ao entendimento da Margem Equatorial do Brasil. Dados oceanográficos estratégicos, além de mais de 6 mil imagens científicas inéditas desta região foram obtidos e estão sendo processados em universidades e institutos de pesquisa nacionais.

Após as coletas, as amostras de água foram imediatamente processadas a bordo do navio, gerando um material importante para posteriores análises biológicas integradas com imagens de satélite.

Estiveram a bordo os bolsistas de produtividade do CNPq, Rodrigo Moura – coordenador da expedição, Alex C. Bastos, Gilberto Amado e Paulo Salomon, além de mais cinco pesquisadores da Rede: Fabio Motta, Fernando Moraes, Laís Araújo, Leonardo Neves e Milton Kampel.

Durante a expedição, foram adquiridos dados geofísicos, físico-químicos, biológicos e radiométricos na região do recém-descrito sistema recifal da Foz do Amazonas. Além disso, foram realizadas mais de 20 horas de observações a bordo de dois submersíveis, em profundidades de até 400 metros. “Mergulhar no Cânion do Rio Amazonas a 300 m de profundidade por cerca de três horas e registrar em foto e vídeo a vida tipicamente marinha lá encontrada foi uma experiência única”, declara Gilberto Amado, pesquisador da Rede Abrolhos/JBRJ.

Os mergulhos a grandes profundidades, realizados com os submersíveis embarcados no navio “Alucia”, foram fundamentais para aprofundar a caracterização dos ambientes bentônicos entre o Maranhão e o Amapá. Na foto, o pesquisador Gilberto Amado (ao fundo) prepara-se para mergulhar na região do cânion da Foz do Amazonas.

Dentre os principais resultados desse esforço está a caracterização de vales e cânions ainda não mapeados, registros de esponjas e peixes até então desconhecidos na região, estudos do plâncton associado à mistura das águas do mar e do maior rio do planeta, imageamento das bioconstruções carbonáticas e algas calcárias, e caracterização bio-óptica da região. As atividades foram complementadas por imagens de satélites recebidas no navio em tempo real.

Operação de resgate dos submersíveis durante a noite. Com tecnologia moderna e uma equipe experiente, as complexas manobras a bordo do “Alucia” foram executadas com grande eficiência.

Os resultados, ainda inéditos, irão fornecer informações importantes sobre a estrutura dos recifes e das comunidades biológicas a eles associadas. De acordo com Rodrigo Moura, pesquisador da Rede Abrolhos/UFRJ, “os dados obtidos alteram significativamente a visão que tínhamos sobre a Margem Equatorial, e trarão elementos importantes para subsidiar medidas para sua conservação e manejo”.