Rede Abrolhos publica artigo sobre rodolitos da Margem Equatorial Brasileira (Foz do Rio Amazonas)

Artigo recentemente publicado pela Rede Abrolhos aborda a caracterização do principal habitat encontrado na porção média e externa da plataforma brasileira, composto por bancos de rodolitos. Esses nódulos de algas calcárias são, em geral, encontrados em ambientes de baixa turbidez, com substrato estável, hidrodinâmica moderada, favoráveis ao seu crescimento.

Em ambientes de grande turbidez e elevada sedimentação como a foz do rio Amazonas, não era de se esperar encontrar essas formações calcárias. No entanto, trabalhos anteriores já indicaram a presença de estruturas carbonáticas predominantemente na margem externa da plataforma em frente à foz do rio Amazonas. A expedição oceanográfica da Rede Abrolhos de 2017 registrou uma grande extensão dos bancos de rodolitos.

Banco de rodolitos com alta densidade e alta vitalidade visualizado a 60 m de profundidade na região em frente a foz do rio Amazonas.

Vale et al. caracterizaram estes rodolitos quanto ao tamanho, forma, composição taxonômica dos organismos fósseis e icnologia (rastros de organismos bioerosores). Nódulos de fragmentos de invertebrados marinhos com a presença de oólitos caracterizam amostras do norte da foz, enquanto no centro são encontrados rodolitos verdadeiros constituídos principalmente por algas calcárias. Os rodolitos mais recentes caracterizam a zona rasa (23m) do sul da foz, que recebe uma menor influência da pluma do rio em comparação com o norte. A estrutura dos rodolitos reflete principalmente a influência da pluma do rio Amazonas, que determina a intensidade luminosa no fundo e o crescimento de organismos fotossintetizantes.

Nódulos carbonáticos (A, B e E) e rodolitos (C, D e F) amostrados na foz do rio Amazonas. Observar a coloração vinácea indicando as algas coralináceas vivas. Norte (A, B), centro (C, D) e sul (E, F) da Foz do Rio Amazonas. Fonte: Vale et al. (2018)

 

Referência do artigo: Vale et al., Structure and composition of rhodoliths from the Amazon River mouth, Brazil. Journal of South American Earth Sciences. DOI: 10.1016/j.jsames.2018.03.014 (2018).